domingo, 9 de fevereiro de 2014

Lançamento do livro

É com muita alegria que divulgo aqui pra vocês o lançamento do meu primeiro livro de poesia, Cantos Tortos, publicado pela Dobra Editorial! Semana que vem, dia 12/02, no Pizzarau no Rio de Janeiro vai ser o primeiro lançamento:
https://www.facebook.com/events/255348007960341/
O Pizzarau é um sarau novo no Rio, muito legal, organizado pelos poetas da casa Su Noguchi, Letícia Brito, Max Medeiros e Slow da BF, galera do bem, que me recebeu muito bem por lá e deu esta oportunidade de divulgar o livro. O lançamento é um dos itens do cardápio do dia, que está muito bem rechado! Confiram na página do evento!
O livro sai do forno direto pra lá, e em breve outros lançamentos em outros lugares vão acontecer também! Divulgo as datas por aqui.
É só chegar!!
Vai ser na Pizzaria La Carmelita - Rua do Rezende, 14, Lapa - Rio de Janeiro



Bobo News

Bobo News

A poesia seguia pacificamente
cantando suas palavras da ordem
quando um pequeno grupo de poetas se infiltrou
cometendo atos de vandalismo:
Os baderneiros enfiaram seus dedos em feridas
que a poesia fingia não existir
e dali arrancaram palavras ensanguentadas
atirando-as com violência nos ouvidos dos passantes

O fedor que saiu dos versos horrorizou
as metáforas perfumadas e os temas inofensivos
que ocupavam pacificamente a avenida principal
e revoltados gritaram:
sem vi-o-lência! sem vi-o-lência!

As imagens são chocantes

O especialista em manifestações da Bobo News
alerta a população que é importante separar o joio do trigo:
uma coisa é poesia, outra coisa é baderna

Poesia tem que ser pacífica, senão é terrorismo

(Lucas Bronzatto)

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Esperança

Esperança

- Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
(Mario Quintana)

Há dias em que o tamanho da tarefa pesa toneladas na cabeça
Há dias em que a realidade debocha do sonho
e é difícil conjugar verbos no futuro
dizer “amanhã”
dizer “venceremos”
Há dias em que não há onde se agarrar

Nesses dias – confesso – nunca sei o que fazer
enquanto espero pelo retorno dela,
meninazinha de olhos verdes
da pele negra
vestida de farrapos
com seu coração que bate por outras meninazinhas
sua pintura indígena no rosto
ela sempre volta
voando
fugida de algum jagunço de latifundiário

(Lucas Bronzatto)

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Catarse

Catarse

A hora é de ir
Pra onde quer que se olhe
o que se vê pede coragem

É tempo de olhar de dentro
olho no olho do furacão
pé no chão
piso firme
punhos cerrados
O sonho soprará o caminho no ouvido

Sonhos mútuos
somos muitos
somos muito

Também é tempo de olhar pra dentro
queimar nossos lixos
arrebentar nossos vidros
quebrar nossos bancos e o que mais acomode
A hora é de incômodo
a hora é de ir
não há tempo pra perplexidade
os tempos são mesmo outros
e não há tempo a perder

A hora agora pede pressa
É preciso desacelerar o mundo

(Lucas Bronzatto)

domingo, 29 de dezembro de 2013

Multimídia II



Quantos anos há entre eu e você?
Quantas palavras antes destas?
Boletos? Boleros? Bilhetes?
Cartas de amor? Duas gerações? Mais?

Pulo a linha com as mãos ainda

como é que se resolve um tilt de máquina de escrever?
sem alt sem del sem control
sem controle sobre a máquina o homem se desespera sempre
e sempre é em vão
mais cedo ou mais tarde
a máquina controlará o homem
que iludido acreditará
que controla a máquina

os poetas não controlam suas máquinas de escrever
às vezes o barulho das teclas invade,
se escuta até a caneta rabiscando palavras soltas
na cabeça
há um pouco de infância no som e na bobina
marcas de quando brincávamos de escrever
e que hoje me ajudam a brincar com as palavras.

(Lucas Bronzatto)

na máquina de escrever que ganhei do meu avô Roberto.

Como foi o primeiro poema que escrevi nela, mantive os erros de digitação, de quem ainda tá aprendendo a mexer.

Multimídia I


emaranhado de estrelas cadentes 
que não caíram
viajam incandescentes

decadentes focos de luzes de cidades destruídas
faróis foram
fogueiras foram
lâmpadas foram

pontos de vista criam e recriam galáxias

dispor-se longamente a olhar
expor-se
longa exposição
luz
segundos
anos-luz
estrelas que nunca caem

(Lucas Bronzatto)

Poem sobre a foto de 
Rubem Abrão da Silva: Luzes da cidade em longa exposição