segunda-feira, 30 de junho de 2014

Hai Quases!

Ando experimentando escrever hai kais, ou tentativas de hai kais! 
Vou colocar alguns aqui, começando por este:



cavocam feridas abertas

abrem feridas mal fechadas

poetas escrevem torto 
por linhas certas


(Lucas Bronzatto)


 

sábado, 31 de maio de 2014

Em greve


Em greve

Não será de outro jeito
companheir@ em greve
não será nada ameno
você sabe
jornais e revistas desrespeitarão seu movimento
As tevês só vão mostrarão os prejuízos da sua greve
farão cinematográficas reportagens sensacionalistas
mostrando o mal que sua luta faz aos cidadãos de bem
seleto grupo do qual você não faz mais parte

Caso isso ainda não tenha te acontecido
você mais cedo ou mais tarde será rotulado
taxado
chamado de vândalo baderneiro vagabundo arruaceiro
Algum comentarista de renome certamente te incluirá
na minoria que se infiltra nas manifestações
atrapalhando as legítimas expressões do povo brasileiro
(aquelas que não fazem cócegas no patrimônio dos patrões
nem arranham a fortaleza da concentração de renda)

Você sabe melhor do que ninguém
companheir@ em greve
seu patrão não fará concessões
oferecerá migalhas
e sempre haverá aqueles que aceitarão
e tentarão convencer vocês a aceitá-las
Uns, porque têm seus motivos
outros, porque recebem incentivos

Estranho será
se as conquistas não forem à força
se seu patrão não fizer o festival de hipocrisias
de sempre
Se não disser que trabalha mais que você
e por isso merece ser patrão
e por isso você não merece o que reivindica
Se não disser
que os pais dele trabalharam mais que seus pais
ou que os avós dele mais que seus avós
Se não disser
que vocês exageram ao dizerem que são explorados
que essa enorme diferença entre o custo pra produzir
e o preço pra vender não vai para o bolso dele
que a crise isso que o governo aquilo
que já faz muito de gerar empregos
que há motivos
pra mulheres ganharem menos que homens
e negros menos que brancos

Não será de outro jeito
companheir@ em greve
onde quer que vocês protestem
a polícia agirá como polícia
com todo seu preparo para a truculência
reprimirá sem razão
responderá com brutalidade
a alguma ação cheia de razão pra vocês
como sempre
defenderá os patrimônios mais que as pessoas
Não tenho dúvidas
de que os burocratas e ex-incendiários
que dizem falar em seu nome
depois de serem atropelados
por nossa gente nas ruas
te chamarão de oportunista
chamarão a tod@s grevistas de oportunistas
sem distinção

Posso apostar que intelectuais criarão abaixo-assinados
pelo direito da sociedade não ser prejudicada
com sua greve
pelo direito deles
de irem e virem de um devaneio a outro
sem passar pela realidade

Chovo no molhado
nesse chão já bastante pisado
Você sabe melhor do que eu
não será de outro jeito
companheir@ em greve
e parece que é melhor assim
sem nada que amenize
nada que atenue
nada que concilie o inconciliável
nada que confunda

Alívio
companheir@ em greve
só virá de quem estiver lado a lado
ombro a ombro nas ruas
(ali me encontrará também)
Estranho será se não for assim
Não há por que esperar outra coisa
não há por que esperar

(Lucas Bronzatto)

terça-feira, 13 de maio de 2014

Praça Paris

Praça Paris

Acreditou o homem um dia
ser possível dominar a natureza
e entre outras coisas fez a Praça Paris

Tolo homem
grades seguram apenas homens e mulheres
provisoriamente
Não seguram árvores

Jardineiros podam as árvores que escapam
das jaulas da Praça Paris
numa ilusão de controle humano

Homens e mulheres também escapam
de suas celas cotidianas
cada dia um pouco mais

Jardineiros do horror
tentam podar

em vão

Fortes como rochas
cada galho que nasce fora das grades
machuca a mão
de quem segura a tesoura de poda

Tolo homem
impossível dominar sua própria natureza
grade nenhuma segura
consciências despertas

(Lucas Bronzatto)

quarta-feira, 12 de março de 2014

De lisonjear..

Além de todas as mensagens de apoio e versos de improviso que recebi nesta curta caminhada do Cantos Tortos nas ruas, compartilho aqui três belos poemas que recebi de amigos poetas, inspirados pela leitura dos versos. Muito obrigado, meus caros! Aí vão eles:

Cantos Tortos

Poesia afiada, 
Um machado, uma navalha,
Um espelho estilhaçado,
Na garganta do descaso,

Poesia torta,
Talhada em verso e prosa,
Foice e martelo
No céu cinza de concreto,

Poesia vermelha,
De sonhos, sangue e veias abertas, 
Arte poética de los Andes 
Também de becos e vielas,

Cantos Tortos,
Poesia de trincheira,
Terrorismo, front,
E vandalismo poético.

(Jayme Perin Garcia)

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intranquilidade 

para Lucas Bronzatto, autor dos “Cantos Tortos”

sonho incômodo 

nele éramos todos amigos 
próximos 
confinados em cômodos 
separados de uma mesma casa 
que nós 
isolavam e excluíam 
uns dos outros 

um pobre inseto coitado 
levava de cela em cela 
um barbante que se tornava elo 
esticado e amarrado no prego ali do lado 
pra cada verso pensado um toque 
no barbante que reverberava 
por cada canto torto 
dos sujos e apertados quartos 

ia com o cuidado 
de se conter na ideia 
linha complexa 
curta por outro lado 
que não excedesse o trajeto entre verso 
e horário 

pra segurar o poema só palma aberta 
como um mal me quer bem me quer inverso 
da mão de cada poeta em verso uma pétala 
ressarcida 
às flores de todos 
os tempos 

vai já longe 
inseto 
me despeço 
com o perdão da ingênua ousadia que é lhe ter 
e me oferecer pra si 
irmão 
um incômodo 

como fosse um heterônimo 

(Ricardo Escudeiro)

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Crítica ao livro Cantos Tortos do Jornal Enfado Poético-Critico José Joaquim Augusto Reis Encina da prole terceira de D.João dos Anjos Salomão. passeando por Lisboa entre algaravias e muchochos eis qui mi deparo com este simpático livreto numa quitanda católica, como grande resenhista e atirador de pedras que sou resolvi rascunhar impropérios críticos sob essa ousadia literária(direto da Ilha da Madeira de dá em Doido) Cantos Tortos trata de uma homenagem espírita aos vivos e aos mortos, e se você não é vivo nem morto, és torto e caminhas no purgatório da vidamundo e paras não perder a viagem abra uma garrafa de vinho do Porto e saboreie Cantos Tortos. Autor Subcomandante Lucas Bronzeado, Propaganda e Marxs Subcapetão Cabeça.

(Rogério Cabeça)

Abstrato em Cantos Tortos